Terapias com ilhotas pancreáticas artificiais mostram resultados promissores no diabetes tipo 1
AVANÇOS CIENTÍFICOS EM FOCO
Fabiana C. V. Giusti, PhD; Sara Tolouei, PhD e João B. Calixto, PhD
1/28/20262 min read
Terapias celulares baseadas em ilhotas pancreáticas produzidas em laboratório estão se aproximando de uma nova fronteira no tratamento do diabetes tipo 1 (DT1). Dois estudos clínicos recentes, publicados no New England Journal of Medicine, mostram avanços importantes na substituição das células beta destruídas pela doença, trazendo uma esperança real de reduzir ou até eliminar a dependência diária de insulina. No entanto, desafios relevantes ainda precisam ser superados antes que essas terapias se tornem amplamente disponíveis.
O estudo mais avançado envolve o zimislecel (VX-880), da Vertex Pharmaceuticals, um produto derivado de células-tronco embrionárias diferenciadas em “pseudo-ilhotas”. Em um ensaio clínico inicial, todas as 12 pessoas tratadas apresentaram enxertia celular bem-sucedida no fígado, e 10 delas tornaram-se independentes de insulina após um ano. Esses resultados confirmam a eficácia funcional das células produzidas em laboratório, mas à custa do uso contínuo de imunossupressores, já que as células são reconhecidas como estranhas pelo sistema imune.
Uma abordagem alternativa, ainda mais experimental, foi apresentada por pesquisadores da Universidade de Uppsala, com apoio da Sana Biotechnology. Nesse caso, ilhotas pancreáticas foram geneticamente modificadas por CRISPR para se tornarem “hipoimunes”, evitando a rejeição sem necessidade de imunossupressão. As células sobreviveram por até 12 semanas após o transplante intramuscular, sem sinais de rejeição nas células totalmente editadas. No entanto, a produção de insulina foi muito baixa, indicando que, por enquanto, a estratégia demonstrou mais segurança do que eficácia clínica.
Os dados apresentados reforçam que o campo está em rápida evolução, mas ainda é heterogêneo. O zimislecel da Vertex já se encontra em fases clínicas avançadas, embora exija imunossupressão. Outras abordagens promissoras, como o SC451 da Sana e o CTX211 da CRISPR Therapeutics, buscam eliminar essa necessidade por meio de edição genética e dispositivos de proteção celular, com ensaios clínicos previstos ou em fases iniciais. Já estratégias que combinam células modificadas e dispositivos implantáveis, como as da Sernova e da Evotec, ainda enfrentam limitações de durabilidade e resposta funcional.
Em conjunto, esses avanços indicam que uma “cura funcional” para o diabetes tipo 1, com controle glicêmico sem insulina e sem imunossupressão, é um objetivo plausível, embora ainda distante. Os próximos anos serão decisivos para demonstrar a segurança a longo prazo, a durabilidade dos enxertos e a viabilidade de levar essas terapias inovadoras a um número maior de pacientes.


Endereço
Av. Luiz Boiteaux Piazza, 1302 - Sapiens Parque, Cachoeira do Bom Jesus, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.
Segunda a sexta-feira das 08:00 às 17:00 horas.
©2024 - Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos
Mapa do site
Serviços
+55 (48) 3332-8400
contato@cienp.org.br
