Por que tantos pesquisadores fracassam nas entrevistas para a indústria? Além do currículo, o que as empresas procuram em cientistas?

AVANÇOS CIENTÍFICOS EM FOCO

Fabiana C. V. Giusti, PhD; Sara Tolouei, PhD e João B. Calixto, PhD

7/27/20262 min read

A transição da carreira acadêmica para a indústria continua sendo um dos maiores desafios enfrentados por pesquisadores, mesmo por aqueles com excelente formação científica e produção acadêmica expressiva. Em artigo publicado na seção Work da revista Nature, Sarah Wild aborda essa questão a partir do relato de um pesquisador de pós-doutorado que, apesar de ter enviado mais de 500 candidaturas e participado de mais de 20 entrevistas, não conseguiu obter uma oferta de emprego. A análise reúne recomendações de recrutadores, gestores de contratação e especialistas em desenvolvimento de carreira sobre como enfrentar os processos seletivos da indústria.

O artigo destaca que os processos seletivos na indústria geralmente são compostos por várias etapas, cada uma com objetivos específicos. A primeira entrevista, conduzida por um recrutador, busca verificar o alinhamento do candidato com a vaga e esclarecer aspectos do currículo. Em seguida, entrevistas com o gestor da área avaliam competências comportamentais, capacidade de trabalho em equipe e adaptação à cultura organizacional. As etapas técnicas analisam a capacidade do candidato de aplicar seus conhecimentos para resolver problemas reais, enquanto entrevistas com executivos exploram visão estratégica, potencial de liderança e aderência aos valores da empresa.

Um dos principais ensinamentos é que o sucesso não depende apenas da competência científica. Habilidades interpessoais, comunicação clara, objetividade, capacidade de contar histórias que demonstrem experiências concretas e preparação cuidadosa para cada etapa do processo seletivo são fatores decisivos. Os especialistas recomendam o uso do método STAR (Situação, Tarefa, Ação e Resultado) para estruturar respostas a perguntas comportamentais e enfatizam a importância de estudar previamente a empresa, seus produtos, sua cultura e seus desafios.

Outro aspecto enfatizado é que a entrevista deve ser encarada como uma conversa em duas vias. O candidato também deve fazer perguntas que demonstrem interesse estratégico pela posição e permitam avaliar se a empresa oferece um ambiente compatível com suas expectativas profissionais. O artigo conclui que autenticidade, preparo e adaptação da comunicação ao perfil de cada entrevistador são muito mais importantes do que simplesmente apresentar um currículo impressionante. Para pesquisadores que pretendem migrar da academia para a indústria, compreender essa lógica pode representar a diferença entre sucessivas rejeições e uma contratação bem-sucedida.

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