Interação entre neurônios e astrócitos é crucial para consolidação das memórias de medo
AVANÇOS CIENTÍFICOS EM FOCO
Fabiana C. V. Giusti, PhD; Sara Tolouei, PhD e João B. Calixto, PhD
2/12/20262 min read
Introdução
A formação e a consolidação de memórias emocionais, especialmente aquelas associadas ao medo, dependem de circuitos específicos da amígdala, uma estrutura central do sistema límbico. Tradicionalmente, os estudos sobre memória focaram quase exclusivamente nos neurônios, considerados as principais células responsáveis pelo armazenamento e processamento de informações no cérebro. No entanto, nas últimas décadas, evidências crescentes indicam que as células gliais, em especial os astrócitos, também desempenham papéis ativos na modulação da atividade sináptica e na plasticidade neural. Ainda assim, sua contribuição direta para a formação de memórias emocionais permanecia pouco compreendida.
O que os autores demonstraram
Em artigo publicado na revista Nature, Olena Bukalo e colaboradores investigaram o papel dos astrócitos na amígdala durante a formação de memórias associativas. Utilizando abordagens experimentais avançadas, incluindo manipulação funcional seletiva de astrócitos e análises comportamentais em modelos animais, os autores demonstraram que a atividade dessas células é essencial para a consolidação da memória. A inibição específica de astrócitos na amígdala prejudicou significativamente a formação de memórias de medo, enquanto sua ativação modulou a eficácia das conexões sinápticas envolvidas nesse processo. Os resultados indicam que os astrócitos participam ativamente da regulação da plasticidade sináptica, influenciando a comunicação entre neurônios durante a consolidação da memória. Além disso, o estudo sugere que mecanismos envolvendo sinalização intracelular e liberação de mediadores pelos astrócitos contribuem para a estabilização dos circuitos neurais associados à memória emocional.
Conclusões e perspectivas
Os achados reforçam a ideia de que a memória não é um processo exclusivamente neuronal, mas resultado da interação dinâmica entre neurônios e células gliais. Ao demonstrar que astrócitos são elementos fundamentais para a formação de memórias na amígdala, o estudo amplia a compreensão dos mecanismos celulares da memória emocional. Essas descobertas abrem novas perspectivas para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas voltadas a distúrbios psiquiátricos, como transtorno de estresse pós-traumático e ansiedade, nos quais memórias emocionais disfuncionais desempenham papel central.


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