Estudo de base nacional demonstra queda drástica na mortalidade por câncer do colo do útero após vacinação contra o HPV na Inglaterra.
AVANÇOS CIENTÍFICOS EM FOCO
Sara Tolouei, PhD; Fabiana C. V. Giusti, PhD e João B. Calixto, PhD
6/26/20262 min read
Introdução
O câncer do colo do útero, também conhecido como câncer cervical, continua sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo, especialmente em países de baixa e média renda. Estima-se que a doença seja a segunda principal causa de morte por câncer entre mulheres com menos de 65 anos. A infecção persistente pelos tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV), principalmente os subtipos 16 e 18, é responsável pela grande maioria dos casos.
Nas últimas décadas, a vacinação contra o HPV passou a integrar as estratégias globais da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminar esse câncer como problema de saúde pública. Embora diversos estudos já tenham demonstrado uma redução na incidência da doença, ainda eram escassas as evidências de que a vacinação fosse capaz de reduzir efetivamente a mortalidade.
Em estudo publicado na revista científica The Lancet, Peter Sasieni e Milena Falcar apresentam a primeira demonstração, em nível nacional, de que a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) não apenas reduz a incidência do câncer do colo do útero, mas também diminui de forma expressiva a mortalidade causada pela doença em mulheres jovens.
Os pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres analisaram dados nacionais de mortalidade por câncer do colo do útero na Inglaterra entre 2001 e 2024, abrangendo mulheres de 20 a 34 anos. O período avaliado coincidiu com a implementação do programa nacional de vacinação contra o HPV, iniciado em 2008, que alcançou cobertura entre 80% e 90% das adolescentes de 12 e 13 anos.
Os resultados foram notáveis. Entre 2020 e 2024, não foi registrado nenhum óbito por câncer do colo do útero entre mulheres de 20 a 24 anos vacinadas precocemente, quando seriam esperadas aproximadamente 23 mortes com base nas taxas históricas. Entre as mulheres de 25 a 29 anos também foi observada uma redução extremamente expressiva da mortalidade, e os modelos estatísticos estimaram uma proteção próxima de 100% para aquelas vacinadas durante a adolescência.
No total, estima-se que aproximadamente 200 mortes por câncer do colo do útero tenham sido evitadas na Inglaterra até o final de 2024 em decorrência da vacinação.
Conclusões e perspectivas
Os autores concluem que este é o primeiro estudo de base populacional a demonstrar, de forma robusta, que programas nacionais de vacinação contra o HPV reduzem não apenas a incidência, mas também a mortalidade por câncer do colo do útero.
Os resultados reforçam a importância de manter elevadas coberturas vacinais entre adolescentes, sobretudo antes do início da vida sexual, e fornecem evidências concretas de que a estratégia proposta pela Organização Mundial da Saúde para eliminar esse tipo de câncer é plenamente alcançável.
Além disso, o trabalho oferece um forte argumento científico para ampliar os programas de vacinação em países que ainda apresentam baixa cobertura vacinal, contribuindo para salvar milhares de vidas nas próximas décadas.


Endereço
Av. Luiz Boiteaux Piazza, 1302 - Sapiens Parque, Cachoeira do Bom Jesus, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.
Segunda a sexta-feira das 08:00 às 17:00 horas.
©2024 - Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos
Mapa do site
Serviços
+55 (48) 3332-8400
contato@cienp.org.br
