Agonista de GLP-1 em comprimido é aprovado pela FDA

AVANÇOS CIENTÍFICOS EM FOCO

Sara Tolouei, PhD; Fabiana C. V. Giusti, PhD e João B. Calixto, PhD

4/9/20262 min read

Lauren J. Young discute, na revista Scientific American, a recente aprovação, pela FDA, de um novo medicamento oral da classe dos agonistas de GLP-1, desenvolvido pela Eli Lilly: o orforglipron, que será comercializado como Foundayo. Trata-se do segundo comprimido dessa classe aprovado para perda de peso, ampliando um mercado até então dominado por formulações injetáveis, como Wegovy e outros análogos.

Nos estudos clínicos, o novo fármaco demonstrou eficácia significativa, com perda média de aproximadamente 12 kg após 72 semanas de tratamento nas doses mais altas. No entanto, quando comparado a outras terapias mais recentes, especialmente injetáveis como a tirzepatida, seu efeito parece mais modesto. Estudos indicam que diferentes doses de orforglipron resultam em redução de cerca de 5% a 10% do peso corporal, enquanto medicamentos concorrentes podem alcançar reduções superiores a 15% ou até mais de 20%.

Um diferencial importante do novo medicamento está em sua natureza química. Ao contrário da maioria dos agonistas de GLP-1, que são peptídeos e exigem cuidados especiais de administração, o orforglipron é uma pequena molécula não peptídica. Isso permite maior estabilidade no trato gastrointestinal, eliminando a necessidade de jejum rigoroso e facilitando o uso diário. Além disso, essa característica pode simplificar a produção, reduzir custos e melhorar a distribuição, favorecendo o acesso mais amplo à terapia.

O mecanismo de ação do Foundayo é semelhante ao de outros medicamentos dessa classe: ativação de receptores de GLP-1, promovendo saciedade, retardando o esvaziamento gástrico e reduzindo a ingestão alimentar. Contudo, como ocorre com outros fármacos desse grupo, o tratamento está associado a efeitos adversos gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, e requer titulação gradual da dose para melhor tolerabilidade.

Especialistas destacam que a crescente diversidade de opções — comprimidos e injetáveis com diferentes níveis de eficácia — poderá permitir abordagens mais individualizadas no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Há também interesse em estratégias combinadas ou sequenciais, como iniciar com injetáveis e posteriormente migrar para formulações orais para manutenção dos resultados.

Embora o novo agonista de GLP-1 na forma de comprimido não supere a eficácia clínica dos agonistas já disponíveis, ele representa um avanço importante em termos de conveniência, acessibilidade e potencial ampliação do uso dessas terapias.